Natalia Candido

Interesse na prática do piano cai e esvazia competições no Brasil; qual seria o motivo?

In Artigos on May 14, 2010 at 5:12 am

Achei interessante colar este texto no blog, fala sobre a falta de interesse no piano.

por Eduardo Fradkin

A obra 4’33”, de John Cage, põe um pianista sentado diante de seu instrumento sem tocar uma nota sequer durante o tempo indicado no título. Entre as discussões suscitadas pela peça, criada em 1952, está o questionamento do papel de um instrumento do século XVIII na sociedade contemporânea. Seria uma boa trilha sonora para um documentário sobre a prática do piano no Brasil, num momento em que competições atraem poucos candidatos e um dos principais cursos de bacharelado do instrumento no Rio registra um declínio no seu vestibular.

Para você, qual o principal motivo da falta de interesse em aprender piano?

No mês passado, a poucos dias de encerrar as inscrições, o Concurso Nelson Freire OSB Jovens Solistas tinha arrolado vários concorrentes na categoria “outros instrumentos” e nenhum na de piano. A coordenadora do certame, Rosana Martins, pediu a professores que enviassem alunos e conseguiu, enfim, a adesão de cinco pianistas. Os demais instrumentos reúnem 29 candidatos. Até a clarineta está mais representada que o piano, com seis praticantes.

– O concurso foi criado para incentivar jovens pianistas e lhes dar oportunidade de tocar com orquestra. Não sei por que razão tão poucos se inscreveram – diz Nelson Freire, padrinho do evento.

Não foi muito diferente na pré-seleção do I Concurso Internacional de Piano de Santa Catarina, que se realizará em julho. Segundo a pianista Linda Bustani, que integrou o júri da pré-seleção, a participação brasileira será mínima: – Foram mais de 90 inscritos, mas apenas cinco ou seis brasileiros. Selecionamos 20 participantes, dos quais somente um é brasileiro, o Ronaldo Rolim. O resto era muito fraco.

Como professora particular, ela vem notando uma crise nessa profissão:

– O interesse no piano caiu assombrosamente nos últimos dez anos. Antigamente, os pais investiam no ensino de música para os filhos. Além de dificuldades financeiras que passaram a afetar mais a classe média, acho que um fator desestimulante é a dificuldade de se construir uma carreira. Jovens querem resultados rápidos, e, para se aperfeiçoar na música, leva tempo. Por isso, mesmo quem aprende piano hoje fica num nível semiprofissional.

fonte: http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/05/08/interesse-na-pratica-do-piano-cai-esvazia-competicoes-no-brasil-qual-seria-motivo-916536589.asp

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